domingo, 28 de junho de 2009

estupidezes

talvez outrora tenha sido uma infima personificação humana, em forma de gota de chuva. que se tornou forma humana exclusivamente para ti. e tu, talvez um dia não terás passado de um sonho. desengana-te, pois hoje és muito mais que uma realidade. sonhei contigo, noites sem fim. és a vida que me faltava. e juntos somos um coração que bate em unissono. somos passos certos em caminhos incertos. chegaste no inverno e permanecerás no verão. não foste um ser, como muitos outros de uma só estação. e o nosso amor é tal, que resistiu à erosão do tempo e à distância das horas. todas as esperas valeram a pena, por ti. todos os dias valem a pena por ti.
és a razão do meu ser. és muito mais que um simples 'amo-te', palavra que é rara de dizer.
não queremos que se torne banal, e gestos valem mais que palavras.
vamos fazer amor.

domingo, 3 de maio de 2009

people

acredito que há um inicio, um meio e um fim. há pessoas que chegam nesse inicio, mas que não passam de um meio. outras chegam no meio e aguentam até um fim. mas o raro são as pessoas que chegam no inicio e aguentam até ao fim. todos os dias se perdem pessoas, se ganham novas, se estimam as de sempre. mas quem dessas pessoas poderá ter uma capacidade tão grande de connosco ficar até chegar ao fim?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

mãe.

nestes dezassete anos, gostava que tivesses usado mais esta pequena questão comigo 'estás bem?'. gostava que no momento certo me tivesses abraçado, ouvido e compreendido de coração aberto. não queria que me julgasses, me agredisses como muitas vezes o fizeste. cresci sem ti, é ridiculo não é? mãe eu cresci sem ti. cresci a ver-te chorar, vi-te sair de casa como uma criança, dei-te opiniões, ouvi-te e tentei ser uma boa filha. 'que mal fiz eu a deus para ter estes filhos?', está me marcado, isso e as vezes em que senti a tua raiva na minha pele, as vezes em que descarregas-te em mim toda a tua acumulação de sentimentos. eu moro contigo há tantos anos, saí de dentro de ti, mas quando falas de mim pareces que estás a descrever outra pessoa que não eu. respeitas-me, és paciente e agradeço-te isso. mas não me conheces, não sabes os meus dilemas, as minhas inseguranças. ao ponto de não te aperceberes das minhas depressões e mágoas. afastas-te uma das melhores pessoas que tive na vida, se não a melhor, de mim. magoaste-me e desiludiste-me imensas vezes. o pai mandou-me à merda três vezes, e tudo o que tu me disseste nessas vezes (e em tantas outras ocasioes) foi: tens que compreender, bláblá e eu compreendi. mas mãe, era uma criança quando perdi pessoas, as mesmas que tu e nem uma unica vez te preocupaste comigo, nem como eu estava a lidar com as coisas. vi o pai quase a morrer, vi-te a chorar muitos dias na casa de banho, e mãe achas que não me custou? isso e tantas outras coisas durante este tempo todo? e eu passei isso sem ti, sem tu quereres saber. o meu stress acumulado, a ansiedade, a revolta deve-se a isso. o pai mesmo magoado comigo disse me coisas do tipo: és o meu amor, quando nasceste todo o mundo ficou a saber, faço tudo por ti e o que mais quero é que sejas feliz, com quem escolheres ao teu lado, e se te magoarem eu vou-me a eles. eu amo-te.' e tu ficaste calada ao lado, não disseste nada. não percebeste nada. não recebo o teu carinho porque estás preocupada com outras coisas, nem nunca o recebi. não queiras recuperar o tempo perdido agora. só porque ouviste por entre portas os gritos da minha revolta. custa-me imenso, gostar tanto de ti e saber que tu não gostas assim de mim. não gostas ao ponto de me fazeres confiar, me fazeres criar fortes laços e me veres crescer. procuro a falta do teu carinho nos outros, mas não é a mesma coisas. o que eu hoje sou, não o devo a ti. mas na mesma te agradeço todas as pequenas coisas que fizeste por mim. mãe, hoje já vais tarde.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

l

foi então que dois relógios pararam o seu tempo, no mesmo instante de segundo. dois corpos uniram-se em todo o seu esplendor, duas almas ganharam respiração ofegantemente satisfatória, num prazer máximo. foram precisos onze minutos. a probabilidade e a competição foram postas à prova. um contra mil. fez-se magia. assim surgi eu, fruto de uma longa história de amor. tudo o que eu sou, foi influenciado desde a tal magia. não conheço o mundo, não tenho o meu mundo, serei talvez mais um caminheiro em busca de encontrar algo perdido no seu caminho. o ambiente em meu redor, fez com que certas caracteristicas ficassem como rugas de expressão. acentuam-se à medida que o tempo passa, por muito que tentemos mudá-las. os meus paradigmas dominantes, estão a ser questionados, não superam certas anomalias. tento apenas arranjar uma espécie de solução temporária. as anomalias vão voltar, novos paradigmas terei de encontrar. um estado de equilibrio quero eu, onde um res cogitans esteje ao nivel de um res extensa. ''não existe um caminho para a paz, a paz é o caminho'' Gandhi.

terça-feira, 7 de abril de 2009

amo-te.

fala-me de amor. não sei que espécie de sentimento é, certezas nem shakespeare tinha quando o tentava descrever. eu sei que é incondicional. e se há algo que é eterno é o amor. algo que nutrimos por um ser que pode fugir de nós. quando é amor é em todas as situações. eu amo-te quando estás feliz, alegre, contente, quando contas piadas e me fazes rir. quando estás bonita, bem vestida. quando me pagas tudo e me ofereces presentes. isso não é amor, desilude-te já aqui. eu amo-te quando chorámos um pelo outro naquele tenebroso dia, amo-te quando vieste alcoólico ter comigo, cheiravas mal, sabias mal, mas amo-te, beijei-te como se não houvesse amanhã. amo-te mesmo quando falavas mal para mim, quando estavas irritado, triste ou chateado. eu amo-te. ao ponto de abdicar de ti, para seres feliz. o amor é independente, mesmo sentido a tua falta e alguma necessidade de estar contigo. estás feliz eu estou feliz. foi propositada a utilização do verbo amar no presente. amar pra mim não tem passado. quando se ama, jamais se esquece ou se deixa de amar.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

music

imagina-te a ouvir a mesma música todos os dias. pergunto: não te cansas?
o amor é como uma música. podemos ouvir a mesma música todos os dias, mas há sempre uma nova mudança de tom que vamos descobrir, até sabê-la de cor. acordes, melodias, altos e baixos, diferentes tons de voz, diferentes vozes. podes estar todos os dias comigo, conhecer o teu corpo de cor, conhecer o teu corpo penetrado no meu, conhecer-te ao toque, ao cheiro, sentir-te. todos os dias descubro em ti um novo sorriso, uma nova faceta, até te saber de cor. o amor é como uma música, depois de sabê-la de cor, vamos apreciar demasiado a sua presença para ficar sem ela.

you always you

«e tu, ainda me amas?» pensava que tinhas presente que o amor é para sempre.
então não me perguntes se ainda te amo, não vou deixar de te amar.
amo-te sempre.

segunda-feira, 30 de março de 2009

j

já li livros e textos sobre o amor, procuro neles semelhanças com a nossa história sem fim. há páginas que vão ficar sempre rasgadas, esborratadas ou simplesmente em branco. foste apenas alguns quilómetros desta longa estrada. os aromas do aglomerado de pessoas na rua, levam-me a recordar o cheiro do teu peito suado. os ventos empurram-me com força para ti. a chuva que não pára trás de volta os teus braços musculados, enrolados em mim. trás aquele longo beijo, dentro da redoma que nós formámos naquela tarde chuvosa. o sol manda-me para o enorme caminho que percorremos um atrás do outro de mãos dadas. fui mulher ao teu lado, sei que te mudei. aqueles quilometros também me mudaram, trouxeram-me uma nova visão, uma filosofia unusual. esses quilometros moram longe, tão longe que a vista não consegue alcançar. e quando o corpo tenta correr para os abraçar, a mente faz um salto exuberadamente translógico. ao aquecer as mãos na chávena de café, lembro-me quando despiste o teu casaco para me protegeres do frio. era engraçada a tua forma de te preocupares com o que eu comia ou não. por mais quilometros que ande, há sempre aromas que me levarão ao teu coração. gestos que me levam a querer morar no teu abraço. és para sempre, a nossa história de amor não tem igual. amo-te, sabes, amo-te. o amor trás independência, por isso consigo viver sem ti. acordo, faço as coisas que tenho a fazer, deito-me, durmo, como, satisfaço as minhas necessidades. sim eu consigo viver sem ti, sem a tua presença, sem estares ao meu lado, sem os teus abraços, sem os longos beijos. não sou dependente de ti. mas não há um único dia que não te ame, que não te queira bem. procuro-te noutros abraços, noutros beijos. não o faço por mal e não quer dizer que não te ame. mas como ser humano que sou preciso de atençao, preciso de uma pessoa segura ao meu lado.perdoa-me, perdoa-me. por muito que eu me tente imaginar casada e com filhos com outra pessoa não consigo. ainda me vejo de mão dada contigo, grávida de gémeos. tu com a mão na minha barriga a sentir os pontapés. sei que ias às aulas de preparação pro parto comigo, ias querer ver-me ter os gémeos. ias cuidar de nós, proteger-nos de males exteriores. eu sei que tu me amas. é uma pena o nosso amor nem ter um fim digno.

domingo, 1 de março de 2009

25 de março

não percebo, anos seguidos a atormentar-me o pensamento, a tirar-me sono, roubar-me pedaços de felicidade. julguei esta hemorragia estancada, mas o sangue ainda fervilha. aquele momento, que me mudou, mudou-me para sempre. cada vez mais penso em ti e em tudo o que me trouxeste. sinceramente nunca soube se gostavas de mim, mesmo assim sofro desta maneira. não há maneira de superar tal trauma. gostava que este ano fosse diferente, que o conseguisse superar, que este mês corresse bem. que não tivesse este medo. já me obrigaste a crescer, deixa-me ser feliz.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

nunca pensei chegar a isto. uma felicidade indefinida, com um nós tão bem definido. todos os dias caminhamos juntos, vamos em frente de mão dada, caminhamos olhando para um mesmo horizonte a atingir. partilhamos o dia-a-dia, fins de semana também. entre longas caricias está um simplesmente estar que me faz bater o coração a mil. tu habitas em mim, já estou tão habituada a ti. não tenho complexos contigo. quando quero fazer algo digo, quando tenho fome, ou preciso de satisfazer alguma necessidade primária. 'tu queres? responde-me tu queres?', 'se tu quiseres eu quero.' é isto para escolher bolachas, para dormir, para beber café. há sempre um nós. uma decisão conjunta. mudaste o sentido às sextas feiras treze, mudaste o meu rumo, o meu sorriso. estou certa que nunca tinha sido tão feliz, talvez. esse amor que tu me dás, a quantidade necessária, suficiente, enche-me o peito. se eu estou com frio, saio do teu lado quente-quente. os meus lábios ardem, ganham outra cor quando se unem aos teus. gosto de ver-te desenhar, de desenhar contigo. de beber café, comer, contigo. acho que ninguém se preocupa mais com as minhas alergias a não ser tu. obrigado pelas melhores nove horas seguidas de ontem. foi tão tão que nem sei explicar, quero ficar no teu abraço por mais longas semanas, meses, anos. gosto imenso de ti, de nós. eu gosto de nós. proporcionaste-me um nós, mas desta vez a sério. Gosto imenso de ti, obrigado.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

m

tenho saudades minhas, sim saudades minhas. dos meus gestos, da minha face não rugosa, da minha alma não sombria, das minhas loucuras, da pureza, da ignorância, da humildade. tenho saudades do meu sorriso quando estavas ao meu lado. saudades de mim quando era tua. tanto tempo sem ti, sem mim, sem mais ninguém. faz-me mal.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

rita

Tudo começou aos nove anos, com um tocar de telefone. Estava a pequena Maria a brincar com as suas bonecas quando o telefone toca. ‘Maria vai atender, a mamã está a fazer o jantar.’ Maria larga as bonecas e vai a correr, mete-se em bicos dos pés, estica-se ao máximo e atende. Eis se não quando do outro lado dizem: ‘já está.’ Maria retorqui-o: ‘Já está?’ E a voz do outro lado: ‘a avó já morreu.’ E o telefone desliga-se. Maria tinha agora um grande desafio, tinha que dar a noticia ao resto da família. A angústia, a dor, a mágoa, o medo invadiram aquele pequeno coração. Num sopro ganhou coragem. Abriu a porta do quarto do Miguel, seu irmão e disse: ‘Miguel a avó morreu.’ Ele, quase perplexo disse: ‘eu aviso os pais’. Depressa toda a gente se reuniu na sala, o pai de Maria chorava enquanto a sua mãe o acariciava. Miguel estava a tentar distrair-se com a televisão. Maria, Maria apenas corria feita barata tonta da sala para a cozinha, agarrando com as duas mãos o seu pequeno coração. Já nem sabia se ria se chorava, tal era o seu estado de amargura. Foi a primeira vez que remexeram o seu âmago. Ninguém tinha apetite. Maria não foi ao funeral, os pais acharam melhor pouparem-na desta vez. Mas ir ao cemitério até lhe fazia bem. A sua avó morreu precisamente a dez dias de ela fazer dez anos. Por ela não fazia festa, mas seus pais quiseram fazer-lhe uma surpresa. Nesse dia sorriu. Desde essa altura que Maria tem problemas para dormir, dá voltas e voltas na cama. As noites começaram a ser um tormento. Deixou de ser uma criança normal, mas uma criança que sofria em silencio. Os anos passaram, Maria foi crescendo ainda mais. A vida sempre lhe reservou grandes surpresas. Num ano o seu pai apanhou uma pneumonia, ninguém sabia o que ele teria. Então os seus dias eram casa-escola-hospital-casa. Foram lá passados os seus anos, o Natal, o Ano Novo. Isto porque o seu pai tinha alta e passado uma semana voltava para o hospital, até descobrirem o que se passava. Maria crescera mais uma vez. Ver um pai no hospital, comemorar lá dias festivos, ver a mãe imensas vezes a chorar fechada na casa de banho. Não é fácil. Maria nunca chorava, em frente à mãe, ao pai, na escola ou com os amigos. Para eles, Maria nunca chorava. Mas ninguém sabe o que esta vida traumatizou os seus anos seguintes. Houve outro ano em que o pai teve um AVC e a mãe teve de ser operada. As cicatrizes dos outros anos acabavam de sarar e tinha que vir mais. Maria não era pejorativa, mas o acumular de situações deixavam as coisas num estado demasiado exacerbado. Maria não aguentava ver a mãe sofrer, ver o pai doente e ver o irmão a não ligar a tudo isto. Mas Maria não chorava. Os pais decidiram mudar de casa, tentar dar outro rumo à sua vida. Então aos quinze anos Maria mudou-se para uma pacata vila. A sua casa tinha jardim e não tinha tantas escadas, assim a qualidade de vida do seu pai aumentava. As coisas pareciam estar bem, mas o pior acontece aqui. Maria era uma criança que carregava muito sofrimento, com um coração amachucado como uma simples folha de papel. No inicio, conheceu novas pessoas, travou amizades, a escola até corria bem. Com o passar do tempo as pessoas desiludiam-na cada vez mais, mentiam, diziam lhe coisas horríveis. As coisas em casa também ficaram piores, as sequelas das doenças do pai e o seu desemprego tiravam-no do sério. Então as discussões começavam a ser o pão de todos os dias. Consequentemente, a pequena Maria apanhava com tudo. Por não se conformar, por não ficar calada, por querer estabilizar e não conseguir. Respondia ao pai, quando ele discutia com a mãe punha-se no meio, mandava-os parar. Então já não bastava o seu âmago amargurado, passaram a soesssões físicas. Ao ponto de a mãe e o pai a mandarem contra a parede, contra o chão. E o irmão ficava sempre ao longe calado, sem poder fazer nada. Depois de lhe baterem, não a deixavam ir à escola. Não queriam que ela abri se a boca. Era assim, Maria sofria em silêncio. No ano seguinte, as coisas pioravam mais. Nenhuma medicação controlava o seu pai e apesar de ter encontrado emprego havia meses que não lhe pagavam. Os amigos de Maria também tinham os seus problemas e encontravam nela um bode expiatório e um ponto de abrigo. Maria nunca negava nada aos amigos. Havia dias em que Maria apanhava de manhã, insistia para ir para a escola, a mãe para não a ouvir levava-a. Conduzia a chorar. Maria sabia que a mãe não estava bem com tudo isto, mas limpava as lágrimas e ia aprender, tentando por o seu maior sorriso. Nesses dias, às vezes os seus amigos estavam tão mal que lhe caíam nos braços em busca de compreensão, derramavam mares de sal. Maria ficava firme, era leal a eles. Maria aguentava tudo. Mas houve um dia que não aguentou mais, estava tudo insuportável. Estava com a sua melhor amiga e só teve tempo de dizer:’ Joana, não aguento mais, sinto que vou explodir, não tenho força.’ E caiu, caiu nos braços de Joana, chorou desalmadamente, a camisola de Joana ficou encharcada. Joana chorou, encorajou-a e levou a para casa. Maria sozinha não conseguia andar. Abriu a porta de casa, correu para o quarto e chorou, como nunca. A mãe apanhou-a e tirou lhe tudo o que a pudesse ligar aos amigos. Depois bateu-lhe e fechou-a no quarto:’ põe-te bem’ disse ela. Maria automutilou-se a primeira vez, a dor era demasiada e ninguém percebia isso. Ela só queria carinho, atenção. O sangue escorria no pulso, com a dor física o seu coração ficava aliviado. Nunca mais sorriu para ninguém, não conseguia comer nem dormir. O suicídio estava numa das suas opções. A mãe tratava-a como escrava do lar. Tinha de fazer tudo, tratar da roupa, da comida, das limpezas. Pobre Maria, não tinha a vida fácil. As automutilações começaram a ser mais frequentes, via a Joana da varanda. E um dia quis se atirar e acabar com tudo, trancou-se no quarto e tinha a certeza que não merecia tudo isto e não merecia viver. A morte para ela era uma libertação. Joana sentiu que algo não estava bem, telefone desligado, nunca mais a tinha visto por aí, visto que estavam de férias. Então como os carros não estavam à porta de sua casa, saltou o portão e entrou pela garagem. Gritou por Maria, bateu, bateu na porta até Maria abrir. E Maria abriu, teve um momento de racionalidade ali. Abriu e envolveu Joana em seus braços. Joana era o seu pilar. Depois de duas depressões, e de automutilações, de noites mal dormidas, de pesadelos, de lágrimas. Maria sorriu, fez novos amigos e as coisas em casa estabilizavam aos poucos. A sua mãe não deixava o pai bater-lhe e tentava percebe-la. O seu pai aos poucos ia ficando mais calmo. O seu irmão mais atento e mais seu amigo. Maria no meio de isto tudo cresceu imenso, ganhou o gosto por ler, visto que passava as noites em claro e os livros a faziam sonhar. E decidiu que no futuro queria compreender a complexidade do ser humano e o mundo. Para isso empenhou-se nos estudos. Deu imenso de si aos outros, o que no fundo lhe fazia bem. E descobriu métodos para relaxar. Maria aprendeu a sorrir de novo. Eu sou Maria. Maria é a rapariga do autocarro, a que anda à chuva, aquela que se cruza connosco no supermercado, na rua. Toda a gente é um pouco de Maria. Um ser que só precisa de um pouco de tempo, carinho e compreensão.

domingo, 4 de janeiro de 2009

acho que a situação chegou a um estado demasiado exacerbado, não quero ser pejorativa. a verdade é que tu habitas em mim, sou o teu hospedeiro, sua parasita. o problema é que com a autofecundação cada vez te reproduzes mais e mais rapidamente, sabes? penetraste o meu âmago, foi tiro certeiro sem pestanejar. talvez seja isso que me perturbe, o facto de ainda viveres em mim. não quero pensar mais em ti, nem passar pelos nossos sitios. foste um acontecimento, que aconteceu e já está ocorrido, redundâncias à parte. à priori quando deixámos de ser um, devia procurar quem me preenche-se. talvez até o tenha feito, mas nós ainda somos um. preciso da tua orientação, da tua vida, da tua luz, de ti. preciso de ti, desistências à parte, meu amor preciso de ti. é dificil dormir com tamanho paradoxo no coração. o lado esquerdo quer-te com tanta força, precisa do teu amor, até da dor que lhe causas-te. o lado esquerdo está tão cheio de cicatrizes, de feridas tuas, mas ainda assim quer-te. parte de mim quer-te. quer-te com os teus defeitos, que evidenciam a tua unicidade. o lado direito, esse foge de ti, foge de ti como o sol foge da lua. a lua chega o sol vai, a lua vai embora o sol vem. parecemos nós, eu a lua, tu o sol. nesta controvérsia diária. controvérsia esta que tem de ter um fim digno, mas já lhe pus um fim tantas vezes. não sei se quero mais. meu amor, não me atormentes mais noites, deixa-me descansar. deixa-me correr à vontade, deixa-me rir. põe o meu mau humor de lado, traz sorrisos. meu amor, vai ser feliz. faz-me feliz. «talvez no fim de tudo haja força para recomeçar»

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

2008

Foi um grande ano. Conheci variadas pessoas, todas elas marcaram para sempre. Cada uma à sua maneira deixou algo em mim. Cada uma roubou um pedacinho meu, só para si. Conheci novos locais nos quais fui posta à prova, várias vezes. Acho que cresci, sem dúvida que superei grandes medos. Foi o ano em que aprendi mais talvez. Ganhei gosto por ler e por pequenas coisas que sei que hoje me enriquecem. Aprendi a querer aprender mais, quis ser maior, aumentar conhecimentos. Tudo isto com a ajuda de todas as pessoas especiais. Superei-me, ultrapassei-me. Foi em 2008 que tirei o verbo desistir do meu dicionário, embora às vezes ele seja preciso. Realizei-me, a nivel espiritual tornei-me numa pessoa melhor. Amei mais, dei ainda mais. Aprendi que a solidão está no meio da multidão. E que há pessoas que com um sorriso nos transformam. Que amar é para sempre, e saber perdoar é necessário quantas vezes for preciso. Descobri que sou perfeccionista e tenho um olho mais claro que o outro, mas só este ano fiz tal descoberta. Aliás, nem fui eu, foram os tais seres inultrapassáveis. Perfeccionista, porque nada do que eu faça me chega, nenhuma acção minha foi/é a ideal e sei que posso sempre dar mais de mim. Fui levada ao extremo, mas há sempre mais para trás da linha do horizonte. Recusei-me aos bens materiais vezes sem conta, sinto-me orgulhosa. Percebi que tantas vezes as pessoas só querem três dedos de conversa, um abraço ou um simples mimo e ficam felizes. Dar é mais importante que receber. A dar fui feliz, mil e uma vezes. E a minha satisfação foi sempre maior a dar do que propriamente a receber, embora muitas vezes ansiasse por um abraço. Há pessoas que não merecem nada, mas como pessoas que são continuam a merecer tudo. Descobri o meu caminho, o que me realiza essencialmente. E nada é mais importante do que os meus seres estarem bem, eu estando feliz por mim e o mundo à minha volta triste, não sou feliz. Sou feliz se eles estiverem felizes. As pessoas, passe o tempo que passar surpreendem sempre. Outras desiludem, mas aprendi que perdoar é uma virtude. Lutei, fracassei, batalhei e venci. Todos os 365 dias. Dei, recebi, amei, sorri, chorei, corri, saltei. Foi mais um ano em que dei o máximo, acho que este foi mesmo o que mais dei. Fiz de tudo para ser/fazer feliz. Para o ano sempre mais e melhor, mais de mim, mais dos outros. Crescer mais, aprender mais. Venha ele.

domingo, 14 de dezembro de 2008

corroer.

adormeço, sempre na esperança de receber algo teu. um simples 'boa noite' enchia-me a alma. os meus sonhos baseiam-se em recordar-nos, sem explicação acordo a meio deles. dormir para mim tornou-se um tormento. acordo, olho para o telemóvel, sempre com um sorriso de 'será hoje?' e nada. Zero, nada teu. Sou ridicula, eu sei. Ridicularizo-me ao máximo por te querer mandar mensagens, por passar por caminhos nossos, por sitios teus na esperança de mais uma vez o teu olhar se cruzar com o meu, mas principalmente com a esperança de esse olhar se fundir num. Apaguei tudo teu, tudo fisico. De que vale, apagar tudo se a minha alma é tua? O meu coração, parte dele, é teu. Tento refazer toda a nossa rotina, sozinha. Procuro alguém que te substitua, mas no meu jogo não há espaço para substituições. Saíste do campo, ficou vazio. Tem tanta gente lá dentro, mas está vazio, paradoxos de alma.

sábado, 6 de dezembro de 2008

desta vez


This time I wont show I'm vulnerable. This time I won't give in first. This time I will hold out with my love. This time I will not be hurt I'm gonna love myself more than anyone else. I'm gonna treat me right. I'm gonna make you say that you love me first and you'll be the onewith the most to lose tonight. This time I'm gonna keep my heart locked safe inside. This time I'm gonna be the one to win your loveyour affection, to hide my fear of rejection.


This time

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

vem vento, vem

estou caminhando sem parar, não olho para trás, já é terra demasiado explorada. sigo em frente, corro ansiosamente, sempre me disseram que levo tudo intensamente. não queria parar, mas a minha estação de serviço chegou e preciso de descansar. pelo caminho fora há cruzamentos e nem sempre sei para que lado virar, então paro. ansiosamente espero, espero que o vento me diga ao ouvido que lado é o certo. mas há dias que o vento não vem, a espera torna-se demasiado longa e a noite cai-me sobre os ombros. é então que olho para o céu, escuro, como o negro das minhas roupas. sinto que as estrelas estão lá, até elas hoje estão de greve. decidiram aderir à moda. estou só, eu e o meu café que me aquece o corpo, mas tão pouco a alma. amanhã, vou ter que decidir que rumo levar, espero que o vento se despache a vir, que as estrelas decidam falar eloquentemente. não há certezas, parte do verosimil, plausivel saber que lado é o certo. sei que um dia tudo acaba, dúvidas, dramas. nesse dia morrerei e o meu corpo não fará mais viagens, é por isso que mais tempo sentada não vou ficar. amanhã é dia, o vento há-de me guiar. haja o que houver, tome que decisão tomar, sei que parar não é solução e o meu caminho vou seguir. hão-de existir mãos a quem dar, pedras e grandes correntes, mas eu vou lutar sem medo. hoje, só hoje vou esperar que o vento me sussurre uma vez mais.

domingo, 30 de novembro de 2008

fim

basta, basta tudo. chega, chega de últimas mensagens, de músicas. acabaram-se os dias passados a recordar-nos. demito-me, saí de ti. esqueci-te. saís-te de mim. hoje, uma felicidade invadiu em mim, finalmente estou livre. o passado, não passa disso. hoje sorri, como há muito tempo não sorria e este, não foi por ti. devo-te um obrigado por me fazeres crescer, mais nada. não trocava cada momento nosso, não trocava cada dor e sofrimento. não, tu mais que ninguém fizeste-me crescer. mas chega, tenho limites, e além disso tenho uma vida pela frente. tenho um direito a ser feliz, e sem ti, vou fazê-lo. vou gritar ao Mundo que sou feliz, tenho mais que motivos para isso. Mais uma vez obrigado, sê feliz, que eu prometo que vou sê-lo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

puxei as mangas do casaco para cima, as marcas nos pulsos continuam visiveis. cicatrizes de noites de dor e sofrimento. parecem linhas, mas são mais que um conjunto de pontos. contêm medos, amarguras. sangue derramado em papel amachucado, por amor. ainda tenho as marcas, e cresça o que crescer a linha das laminas no pulso, permanecerá comigo. tal e qual como tu.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008


"Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância. Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem. Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias." Margarida Rebelo Pinto